sexta-feira, 13 de abril de 2012

ENERGIA E MUDANÇAS CLIMÁTICAS


Deveras, os processos econômicos, políticos e sociais são intrinsecamente ligados aos fenômenos físicos e ambientais. Os padrões de consumo de uma sociedade, por exemplo, têm tudo a ver com sua cultura e economia. Nesse sentido, infere-se a importância dos estudos das mudanças climáticas pelas Ciências Sociais. Temos a grande missão de esclarecer sobre as questões que envolvem os impactos das mudanças climáticas, e as ciências sociais são importantes para mostrar como o fenômeno impacta a vida das pessoas, isto é, os processos econômicos, políticos e sociais mais amplos. Outrossim, mister se faz pensarmos em leis de incentivo para a promoção do desenvolvimento sustentável.

Neste laço, o Brasil deve propor durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável um paradigma de crescimento que seja realista, sem espaço para pensamentos estéreos e fantasiosos. Devemos ter uma postura humilde e entender que alguns países terão dificuldades em executar mudanças na sua matriz energética. Nada de utopias. Todas discussão deverá ter base científica. Na verdade, deveremos ter uma dupla atitude em relação à Rio+20: por um lado temos que ser a liderança de dizer que pode fazer porque é possível fazer, porque nós fizemos, e falar além disso com humildade, que nós temos de fazer mais. Mas, de outro lado, temos que entender que alguns países têm grandes problemas para dar saltos.

Diante do cenário de diversos atores e forças, deveremos dar atenção para a ampliação do apoio às várias áreas relacionadas às mudanças climáticas. Mudança climática é um assunto que exige muita pesquisa e, claro, apoio. Apesar do tema já fazer parte das discussões e ser valorizado, ainda é preciso evoluir: ou temos um investimento profundo e sério ou não vamos conseguir resolver o problema.

Fonte: LEITÃO, Sérgio. Mudanças Climáticas: Interdisciplinaridade. Disponível em: http://www.mudancasclimaticas.andi.org.br/node/464?page=0,1. Acessado em: 06 de abril de 2012.

TRANSPORTE VERDE

As experiências mais bem-sucedidas de transporte verde atendem ao paradigma “evite- mude-melhore”, que é a mola propulsora de uma transformação radical no sistema de transporte neste século. Integrada a outras áreas, como planejamento urbano, energia, saúde, indústria, mudanças climáticas e turismo, a estratégia começa com a redução de viagens por meio da realocação de atividades econômicas para propiciar acesso mais próximo aos pontos de consumo e ao trabalho.

O segundo princípio remete à mudança para modelos ambientalmente mais eficientes de transporte – sistemas públicos, como corredores e tarifas integradas para ônibus, trens urbanos e metrô; não-motorizados, tais como ciclovias e infraestrutura decente para pedestres; e prioridade a ferrovias e hidrovias no transporte de carga. Londres com seu pedágio urbano, Paris e suas ciclovias, Curitiba com a rede integrada de ônibus ligeirinhos e Bogotá com seus corredores exclusivos para ônibus estão entre os exemplos de maior sucesso em políticas de transporte mais sustentáveis.

Por fim, o terceiro princípio propõe o aprimoramento tecnológico dos veículos visando economia de combustíveis e uso de fontes limpas para reduzir a poluição atmosférica e as emissões de gases de efeito estufa (GEE). Investimentos em transporte verde promovem geração de renda e emprego, ao ampliar a cadeia de negócios com tecnologias limpas. Segundo o Relatório de Economia Verde do Pnuma , a alocação de apenas 0,16% do PIB global em investimentos no transporte verde cortaria em 70% as emissões de GEE do setor de transporte até 2050. Tal investimento também reduziria em um terço a quantidade de veículos no modal rodoviário e o consumo de derivados de petróleo, além de expandir em quase 10% o nível de emprego no setor.

O Rio de Janeiro já deu o ponta-pé inicial, um veículo ecologicamente correto e com emissão zero de gases poluentes, o primeiro ônibus movido a hidrogênio, com tecnologia nacional, deve substituir toda a frota do Rio de Janeiro, até os Jogos Olímpicos de 2016.

Se 1 milhão de motoristas deixassem o carro em casa, por pelo menos um dia, 20 mil toneladas de CO2 deixariam de ser emitidas à atmosfera.10,45 bilhões de litros de gasolina são desperdiçados anualmente pelos americanos parados em congestionamentos de trânsito. Se 1 milhão de pessoas adotassem um sistema de carona, 1,7 milhão de toneladas de CO2 deixariam de ser emitidas à atmosfera.

Andar de bicicleta por meia hora por dia pode aumentar sua expectativa de vida em cerca de 4 anos. Se 1 milhão de pessoas deixassem o carro em casa, uma vez por semana, e percorressem 11,5 km de bicicleta, seria possível reduzir a emissão de 100 mil toneladas de CO2 ao ano. Preservar o ambiente sem fazer esforço: essa é a proposta da EvoluBike, empresa que está lançando três modelos de bicicletas elétricas.

As bicicletas são leves (pesam entre 15 kg e 40 kg), fáceis de dirigir (os comandos são semelhantes aos de uma bike normal) e extremamente silenciosas. Equipada com um pequeno motor acionado por bateria, acoplado a uma das rodas, a bicicleta elétrica não se parece em nada com os modelos motorizados que ficaram populares por aqui na década de 1980. Além de utilizarem energia limpa, as “e-bikes” permitem que o usuário escolha se quer ou não pedalar — é possível acionar o motor apenas em ladeiras, por exemplo. O motor da bicicleta elétrica não faz qualquer ruído. O ciclista pode acelerar no guidão, como em uma motocicleta, ou no próprio pedal — a bicicleta percebe o esforço e liga o motor automaticamente. Em vias planas, os três modelos atingem a velocidade de 25 km/hora.

Sabemos que as nossas cidades ainda são muito deficientes quanto à qualidade dos transportes públicos e que muitas mudanças precisam ser feitas de modo a incentivar o uso desse transporte em massa, mas isso não quer dizer que não podemos fazer a nossa parte para minimizar o problema.

Fonte: PEQUENAS EMPRESAS, GRANDES NEGÓCIOS. Oportunidades/Econegócios. Transporte Verde. Disponível em: http://revistapegn.globo.com/Revista/Common/0,,EMI270619-17192,00-TRANSPORTE+VERDE.html. Acessado em 05 de abril de 2012.

QUÍMICA VERDE


Química Verde ou Green Chemistry pode ser definida como a utilização de técnicas químicas e metodologias que reduzem ou eliminam o uso solventes, reagentes ou a geração de produtos e sub-produtos que são nocivos à saúde humana ou ao ambiente.

O setor químico é componente estrutural das economias industriais, mas enfrenta dificuldades imensas para substituir substâncias perigosas ao meio ambiente e à saúde humana por outras com menor impacto. No entanto, a química verde vem pouco a pouco ganhando terreno na pesquisa acadêmica, em laboratórios e na indústria química por meio do desenvolvimento de substitutos produzidos a partir de materiais renováveis e com baixo teor tóxico em combinação com técnicas ecológicas. É o caso das tintas à base de água, no lugar de solventes, com pouca ou nenhuma emissão de compostos orgânicos voláteis (conhecidos pela sigla em inglês VOCs), muitos deles oriundos do petróleo e potencialmente cancerígenos e danosos ao fígado, aos rins e ao sistema nervoso central.

No Brasil, a legislação de controle de substâncias químicas perigosas é inexistente ou muito mais frouxa do que a europeia ou a da Califórnia, nos Estados Unidos. Para citar só um exemplo,    o país não tem normas para limitar a níveis mais seguros a quantidade de VOCs em tintas e formaldeído em resinas aplicadas em produtos à base de madeira. Tanto os VOCs quanto o formaldeído são severamente controlados na União Europeia (UE) e na Califórnia.  Enquanto a legislação brasileira não evolui, resta a pressão da sociedade e as iniciativas voluntárias das empresas em desenvolver produtos mais seguros.

Criou-se ao longo dos anos um consenso sobre os principais pontos ou princípios básicos da química verde. Os doze pontos que precisam ser considerados quando se pretende implementar a química verde em uma indústria ou instituição de ensino e/ou pesquisa na área de química são os seguintes:

- é mais barato evitar a formação de resíduos tóxicos do que tratá-los depois que eles são produzidos;
- as metodologias sintéticas devem ser desenvolvidas de modo a incorporar o maior número possível de átomos dos reagentes no produto final;
- deve-se desenvolver metodologias sintéticas que utilizam e geram substâncias com pouca ou nenhuma toxicidade à saúde humana e ao ambiente;
- deve-se buscar o desenvolvimento de produtos que após realizarem a função desejada, não causem danos ao ambiente;
- a utilização de substâncias auxiliares como solventes, agentes de purificação e secantes precisa se evitada ao máximo;
- quando inevitável a sua utilização, estas substâncias devem ser inócuas ou facilmente reutilizadas;
- os impactos ambientais e econômicos causados pela geração da energia utilizada em um processo químico precisam ser considerados. É necessário o desenvolvimento de processos que ocorram à temperatura e pressão ambientes;
- O uso de biomassa como matéria-prima deve ser priorizado no desenvolvimento de novas tecnologias e processos;
- Processos que envolvem intermediários com grupos bloqueadores, proteção/desproteção, ou qualquer modificação temporária da molécula por processos físicos e/ou químicos devem ser evitados;
- O uso de catalisadores (tão seletivos quanto possível) deve ser escolhido em substituição aos reagentes estequiométricos;
- Os produtos químicos precisam ser projetados para a biocompatibilidade. Após sua utilização não deve permanecer no ambiente, degradando-se em produtos inócuos;
- O monitoramento e controle em tempo real, dentro do processo, deverá ser viabilizado. A possibilidade de formação de substâncias tóxicas deverá ser detectada antes de sua geração;
- escolha das substâncias, bem como sua utilização em um processo químico, devem procurar a minimização do risco de acidentes, como vazamentos, incêndios e explosões.

Pelos itens supracitados, podemos inferir que a maior parte se aplica especialmente à produção industrial. Entretanto, vários pesquisadores vêm buscando a adaptação das premissas da Química Verde ao ensino e pesquisa em química a nível acadêmico. Um químico treinado e formado desta maneira terá um impacto significante na solução de problemas relacionados ao ambiente.

Sociedades de química como a American Chemical Society (ACS) e a Royal Society of Chemistry (RCS), desenvolvem e distribuem materiais sobre Química Verde, para que possam ser utilizados nos currículos dos cursos de química. Além disso, uma apreciável quantidade de artigos destinados a introduzir tópicos de Química Verde em técnicas de laboratório são publicados anualmente em periódicos da área.

No Brasil, apenas recentemente a questão ambiental passou a ter uma penetração mais efetiva no dia a dia do cidadão comum. Os freqüentes vazamentos de óleo combustível e petróleo, a péssima qualidade do ar nas grandes cidades, como São Paulo, especialmente no inverno, a contaminação de rios e lagos com esgoto doméstico e industrial, o excessivo número de praias impróprias para banho no verão, o efeito estufa, as queimadas na floresta amazônica e, de maior importância regional, a contaminação da Lagoa dos Patos, do canal São Gonçalo e da Lagoa Mirim, na região de Pelotas, são alguns exemplos de notícias que diariamente chegam até nossas casas via televisão, jornais ou rádio. Por outro lado, vários estados da Federação têm hoje uma legislação rigorosa com relação à agressão ambiental.
 
Fonte: WWVERDE: Página de divulgação da química verde no Brasil. Busca pela Eficiência de Energia. Disponível em: http://www.ufpel.tche.br/iqg/wwverde/. Acessado em: 02 de abril de 2012.

CONSTRUÇÃO CIVIL (Edifícios Verdes): um sonho possível.

Edifícios verdes contribuem para a melhoria dos padrões de saúde, habitabilidade e produtividade. Há, ainda, vasto potencial de geração de milhões de empregos em novos edifícios e projetos de adaptação (“retrofitting”), produção de materiais eficientes, expansão das fontes renováveis de energia e serviços de reciclagem e gestão de resíduos.

Eis o desafio! Com recursos naturais cada vez mais escassos e alterações climáticas à competitividade econômica e a necessidade de gerar empregos, as cidades verdes oferecem múltiplas oportunidades para um desenvolvimento mais inteligente quanto para uma melhor qualidade de vida. Esse é o centro da iniciativa Estrada para a Rio+20 lançada pelo WBCSD, pela USGBC e pelo PNUMA, que destaca iniciativas positivas que estão em andamento e com potencial para acelerar e intensificá-las no período que antecedeu a Rio +20 e mais além.

Não obstante a iniciativa esteja se focando principalmente sobre os EUA e Canadá, é relevante para as cidades em todo o mundo, especialmente nas nações industrializadas da Europa e partes da Ásia-Pacífico e América Latina, que enfrentam muitos desafios semelhantes relacionados com a ecologização do ambiente urbano construído.

Edifícios de retromontagem existentes, por exemplo, oferecem oportunidades de trabalho significativas: criação de empregos na construção civil, fabricação de materiais verdes, produtos e equipamentos, atualização e reciclagem e sistemas de gestão de resíduos. Além disso, as cidades estão utilizando políticas inovadoras, tecnologias e mecanismos de financiamento para se tornarem mais eficientes, pouparem dinheiro aos consumidores e proporcionarem ambientes mais saudáveis​​.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

BAVA, Cristina, COSTA, Danilo, MEDINA, Eliana, BENATTI, Luciana & FIGUEROLA, Valentina. Construção verde: um sonho possível. Revistas Casa Claudia e Arquitetura e Construção. Especial Casa Sustentável. agosto, 2009. Disponível em: http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/casa/casa-campo-sustentabilidade-meio-ambiente-energia-eolica-energia-solar-494565.shtml?func=1&pag=1&fnt=9pt. Acessado em: 02 de abril de 2012.